quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Ventos: o fator chave nos autogiros/girocópteros. Por quê?

              É consenso entre vários analistas, estudiosos, pesquisadores, pilotos e mecânicos do segmento da TTVA (Teoria e Tecnologia do Voo Autorotativo) motorizados e não motorizados,  que os ventos são efetivamente o "fator chave" nos autogiros ou girocópteros. As pistas de campo de pouso e decolagens usadas para vôos e os  aeródromos dispõem de um instrumento chamado de 'biruta' que indica direção dos ventos,  também conhecida como 'anemoscópio' e medidores de velocidade, os anemômetros pré instalados em solo, conforme fotos ilustrativas abaixo além do instrumento na própria  aeronave e o próprio piloto pode portar o seu anemômetro pessoal portátil de bolso. O vento possui uma velocidade, direção e sentido e precisa ser muito observado no voo auto rotativo. Geralmente a biruta fornece uma direção visual do vento e de acordo com seu ângulo poderá para os mais experimentados fornecer dados e informações preliminares visuais importantes como vento de través, de causa, de proa. O vento  tem sua origem pelas diferenças de pressão. O fluxo do vento gera uma escala que precisa ser bem conhecida pelos pilotos seja em vôos de exercícios, treinamentos ou profissionais.
            Os ventos podem ser medidos em metros por segundo, kilometro por hora e/ou em nós. Muitos pilotos tem preferência em medir os ventos usando a 'Escala Beaufort' criada pela Grã-Bretanha e usar o  parâmetro 'km/h' porque entendem que fica mais tranquilo a interpretação da informação meteorológica.  Os ventos são o fator chave nos autogiros ou girocópteros porque esta aeronave possui um rotor em auto rotação, ou seja, sendo acionado pelo vento, não esta engrazado num motor, não tem transmissão mecânica.  O empuxo é produzido por uma hélice acionada  pelo motor empurrador ou puxador da aeronave, depende da nacele onde esta instalado o  motor, se na atrás da proa ou na frente da proa. O rotor que é a asa, esta somente sendo acionado pela ação dos ventos nos giros.
            Por isso que existe o velho chavão entre os pilotos de giros, nos EUA, de que  "a autorrotação esta para os giros assim como os ventos estão para a autorrotação!". Ou seja, quanto mais vento melhor! Os autogiros voam em autorrotação, sem acionamento mecânico onde se revela uma aeronave simples, leve, econômica e sobretudo, de fácil pilotagem. Algumas aeronaves são dotadas de um 'pré rotador' (PR)  ou pré acelerador (PA) para induzir a RPM (rotações por minuto) no rotor. Vocês caros leitores poderão visualizar as fotos cedidas pelo veterano e ilustre piloto, instrutor, checador, fabricante e mecânico de giros,  Sr Wladimir Romera, da Empresa Aerokits.com.br, onde o mesmo emprega o giro planador para treinamento de pilotos sem o motor, puxado por um cabo. O vôo é possível quando o vento incide no perfil da pá do rotor, que é um perfil fixo, num certo grau que pode ser de 4º até 9º graus. Atingida a RPM necessária, o aparelho decola até porque o rotor é sua asa.
            A trajetória do  girocóptero  numa direção e rumo  é controlada por um leme, fixado na  empenagem. Em treinamento é usado uma estrutura conforme foto abaixo, para ser visualizado como é feita a empenagem e seu revestimento e como funciona o leme. E também é usado um giroplanador, uma aeronave 'sem motor', puxada por um cabo que depois pode ser desligado; o treinador pode induzir a RPM manualmente. O piloto em instrução tem condições de fazer o seu vôo solo e liberar o cabo rebocador quando dominar as técnicas de pilotagem.
O pré rotador ou acelerador  tem como objetivo induzir RPM no rotor para auxiliar na decolagem vertical. Abaixo você também poderá visualizar o pré rotador elétrico. O leme é controlado pelos pedais.
            A Escala Beaufort usa uma classificação dos ventos por grau, do zero grau ao grau  12. Importante salientar que  nas nações nórdicas o 'zero' tem valor de partida, tem significação,  diferente das nações mais meridionais como o Brasil,  onde é o (1)é o que representa valor inicial de partida.  Pela Escala Beaufort  o 'grau zero' representa o 'vento calmo', que tem menos de 1 km/h. Este vento pode ser visualizado com a fumaça que sobe verticalmente.
            A aragem é grau 1, na escala e sua velocidade vai de   1 a 5 km/h. Depois temos a brisa que pode ser leve, de 6 a 11 Km/h; pode ser fraca, de 12 a 19 Km/h; pode ser  moderada, de 20 a 28 Km/h ou brisa forte, de 29 a 38 Km/h. São portanto quatro tipos de brisas. Depois da brisa temos os ventos classificados em dois tipos:  vento fresco,  de grau 6, o chamado de 39 a 49 Km/h e o vento forte, de 50 a 61 Km/h. Depois do vento forte, temos a ventania, que pode ser de 62 a 74 Km/h.
            Temos a ventania forte que vai  de 75 a 88 Km/h. Por fim, temos depois da ventania forte, as tempestades e furacão. A tempestade vai de 89 a 102 Km/h, ao passo que a tempestade violenta que é mais severa,  vai de 103 até 117 Km/h. E finalmente no  grau 12, o famoso furacão onde os ventos registram nos anemômetros acima de 118 Km/h, onde ocorrem estragos graves e generalizado nas construções.  Existem outras tabelas que agregam mais valor, as que classificam os furacões em seus graus, onde poderão ser tornados ou ciclones, do tipo 'F '(F1,F2...até F5 ) porém a Escala  Beaufort agradou muito os pilotos militares e civis em que pese ela foi desenvolvida na Inglaterra originalmente para a Marinha Britânica. Abaixo você tem a escala e poderá visualizar os ventos.
            As fotos que integram o presente enfoque  tem os créditos do Sr. Wladimir Romera, já supracitado, da Aerokits, cm sede em  Americana, SP, que as cedeu gentilmente para ilustrar o presente enfoque. Os ventos são portanto o fator chave no vôo autorrotativo porque imprime RPM no rotor. Lembrando que o autogiro ou girocóptero é  TTVA (Teoria e Tecnologia do Voo Autorotativo), uma 'tecnologia singular' que foi inclusive incorporada nos helicópteros. Os helicópteros que são outro tipo de tecnologia, a TTVR ou TTPC, (Teoria e Tecnologia do Voo Rotativo ou do Passo Coletivo)  utilizam a autorrotação em casos de emergência de pane onde o piloto desengraza o rotor principal ou seja, ele corta a transmissão mecânica.   

Para finalizar segue uma frase usual na formação dos pilotos de TTVA no planeta todo: "não podemos falar em autogiros sem conhecer profundamente os ventos". Foi exatamente o que nos motivou o presente enfoque.












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